Operação e registros

O que deve ter no rótulo de um alimento embalado

Os dados que vão no rótulo de um alimento embalado, como montar a lista de ingredientes pela ficha técnica, o que conferir com a Anvisa e quanto custa errar.

Atualizado 5 min de leitura

O rótulo de um alimento embalado costuma trazer o nome do produto, a lista de ingredientes do maior para o menor peso, os alérgenos, o conteúdo líquido, o nome e o endereço de quem fabrica, a validade, o lote e o modo de conservação. Dependendo do produto, também a tabela nutricional e a lupa da rotulagem frontal. O que é obrigatório no seu caso depende do produto e de como você vende: confira as regras da Anvisa e fale com a vigilância sanitária do seu município antes de imprimir.

Os dados de um rótulo

Estes são os elementos de costume. Use como lista de conferência, não como texto legal:

  • Nome do produto: o que ele é, em palavras claras. "Molho de pimenta dedo-de-moça", e não só o nome da sua marca.
  • Lista de ingredientes: todos, do maior para o menor peso na receita.
  • Alérgenos: os ingredientes que causam alergia, bem visíveis.
  • Conteúdo líquido: quanto produto tem dentro, em gramas ou mililitros.
  • Quem fabrica: nome ou razão social e endereço.
  • Validade: a data até quando o produto pode ser consumido.
  • Lote: um código que diz de qual produção saiu aquela embalagem.
  • Conservação: "Após aberto, manter refrigerado", "Conservar em local fresco e seco".
  • Tabela nutricional e lupa: quando forem exigidas para o seu produto.

Lote e validade mudam a cada produção; o resto não. Por isso muitos pequenos produtores imprimem o rótulo fixo em quantidade e colocam lote e validade com carimbo ou etiqueta pequena. Assim você não reimprime tudo toda semana.

A lista de ingredientes sai da ficha técnica

Se você já tem a ficha técnica padrão em gramas, já tem a lista de ingredientes. Ordene do maior para o menor peso, como entram na receita. Escreva os nomes como o cliente reconheceria ("cebola", e não "insumo 3").

Se você usa um ingrediente composto que compra pronto, como uma geleia ou um tempero, o rótulo dele traz os próprios ingredientes. Guarde esse rótulo: você precisa dele para declarar direito e para identificar alérgenos.

Alérgenos

Os alérgenos são o que mais importa para quem tem alergia. Entre os mais comuns estão o trigo e outros cereais com glúten, o leite, o ovo, o amendoim, as castanhas, a soja, os peixes, os crustáceos e o gergelim. A lista oficial e a forma de destacar estão nas regras da Anvisa. Se algum deles estiver na receita, ele precisa aparecer com clareza.

Também conta o que pode passar de um produto para outro na sua cozinha. Se na mesma bancada você faz pão de mel com farinha de trigo e um produto sem glúten, há risco de contato cruzado. O guia de boas práticas de segurança alimentar explica como separar utensílios e superfícies.

O que conferir no Brasil

Rotulagem frontal (lupa). A RDC 429/2020 da Anvisa introduziu a lupa na frente da embalagem para alimentos com alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio. Os limites e o desenho estão nas regras da Anvisa; confira as regras da Anvisa antes de fechar o rótulo. Para saber se o seu produto leva a lupa, você precisa dos valores nutricionais; o guia de como calcular a tabela nutricional mostra como tirar esses valores da receita.

Registro e licenças. Se o seu produto precisa de registro ou só de licença sanitária, e com qual órgão, depende do tipo de alimento e da sua cidade. O guia de licenças e registro diz o que verificar.

Exemplo: da ficha técnica ao rótulo

Você faz molho de pimenta dedo-de-moça. A receita de um lote:

IngredienteGramas% do total
Pimenta dedo-de-moça45045,0%
Vinagre de álcool35035,0%
Cenoura10010,0%
Cebola606,0%
Alho252,5%
Sal151,5%
Total1.000100%

Cada percentual é gramas do ingrediente ÷ 1.000. A cenoura, por exemplo: 100 ÷ 1.000 = 10,0%.

A lista fica: Ingredientes: pimenta dedo-de-moça, vinagre de álcool, cenoura, cebola, alho, sal. Nenhum está entre os alérgenos comuns.

O lote enche 6 vidros de 150 g, ou seja, 6 × 150 = 900 g. Os 100 g que faltam para 1.000 se perdem no cozimento, no liquidificador e no envase. O conteúdo líquido que você declara é 150 g, e cada vidro precisa ter isso.

O custo da etiqueta. Um rolo de 1.000 etiquetas impressas custa R$ 180,00: 180,00 ÷ 1.000 = R$ 0,18 por vidro. Esse valor entra no custo de embalagem e etiqueta de cada unidade.

O custo de um erro. Depois de usar 250 etiquetas, você percebe que o conteúdo líquido saiu errado. As 750 que sobraram não servem:

  • Etiquetas perdidas: 750 × 0,18 = R$ 135,00
  • Novo rolo: R$ 180,00
  • Total: 135,00 + 180,00 = R$ 315,00

Se cada vidro é vendido a R$ 18,00 e o custo carregado é R$ 6,00, cada venda deixa 18,00 − 6,00 = R$ 12,00. Para recuperar R$ 315,00, você precisa vender 315,00 ÷ 12,00 = 26,25 vidros, ou seja, 27 vidros, mais de quatro lotes. Uma primeira tiragem de 300 etiquetas teria limitado o prejuízo, mesmo com cada etiqueta saindo um pouco mais cara.

A validade também é uma decisão

A validade não se inventa. Ela vem de quanto o produto dura em condições normais, e isso precisa ser testado. Uma validade longa demais é um risco para o cliente; uma curta demais faz você jogar fora produto bom. O guia de validade e o custo do que não vende explica como pensar nisso, e o de operação e registros mostra como o rótulo se encaixa no resto do seu sistema.

Faça na calculadora

Na calculadora de custos, some o custo por unidade da etiqueta em "Embalagem e etiqueta por unidade", para que o preço de cada vidro já cubra esse valor.

Perguntas frequentes

Meu produto precisa ter a lupa na frente da embalagem?

Só se tiver alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio segundo os limites da RDC 429/2020. Calcule os valores da sua receita e confira as regras da Anvisa antes de imprimir.

Em que ordem coloco os ingredientes?

Do maior para o menor peso na receita. É a forma padrão de listar; confira com a Anvisa e a vigilância sanitária o formato exato para o seu produto.

Quantas etiquetas imprimir da primeira vez?

Poucas, até a receita e as informações estarem estáveis. Uma tiragem grande sai mais barata por unidade, mas se algo mudar, a sobra vai para o lixo.

Como faço com lote e validade, que mudam toda semana?

Imprima a parte fixa do rótulo em quantidade e acrescente lote e validade com carimbo ou etiqueta pequena. Assim você não reimprime o rótulo inteiro a cada produção.