Operação e registros

Controle de estoque simples para cozinha pequena

Controle de estoque simples numa cozinha pequena: o que contar, com que frequência, como usar o PEPS e como definir o nível de reposição de cada item.

Atualizado 6 min de leitura

Um controle de estoque simples numa cozinha pequena é contar, sempre no mesmo dia, os dez ou quinze insumos que mais pesam no seu custo, anotar o que você comprou entre uma contagem e outra e comparar o que usou com o que as fichas técnicas dizem. Com isso, você sabe quanto se perde, o que comprar e quanto. Some duas regras, usar primeiro o mais antigo (PEPS) e ter um nível de reposição para cada item, e você tem um sistema que funciona sem programa nenhum.

O que contar e o que deixar de fora

Não conte tudo. Conte:

  • Os insumos caros ou que você usa em quantidade: leite condensado, chocolate, manteiga, carnes, queijo, óleo, farinha se você produz volume.
  • Os que estragam rápido: laticínios, frutas, verduras, recheios prontos.
  • As embalagens e etiquetas, porque ficar sem pote para uma encomenda custa mais que o pote.
  • O produto pronto guardado para venda.

Deixe de fora sal, temperos e tudo o que custa centavos por lote. Contar isso toma tempo e não muda nada.

Use a mesma unidade em que você compra e calcula o custo: quilo, litro, unidade. Se o leite condensado vem em caixas de 24 latas, conte as caixas fechadas e as latas soltas.

Com que frequência e como contar

Uma vez por semana, no mesmo dia e horário, basta para a maioria. O ideal é contar antes de comprar: segunda cedo, antes de ir ao Assaí, ao Atacadão ou à Ceasa, por exemplo. Assim a contagem também vira a sua lista de compras.

Para contar rápido:

  1. Tenha uma folha com os itens na mesma ordem em que estão guardados.
  2. Conte da esquerda para a direita, de cima para baixo, sem pular.
  3. Pese o que está aberto. Uma balança de cozinha vale mais que qualquer estimativa no olho.
  4. Anote o que encontrar estragado e jogue fora. Isso é desperdício e vai para o seu registro.

Na mesma folha, ao lado de cada item, anote o que você comprou durante a semana. Isso sai das suas notas.

Uso real contra uso teórico

Aqui está o valor do estoque. Para cada item:

uso real = estoque inicial + compras − estoque final

Depois calcule o uso teórico: o que as fichas técnicas dizem que você deveria ter usado para o que produziu. Se fez 300 unidades e a ficha leva 20 g por unidade, o uso teórico é 6 kg.

A diferença entre os dois tem poucas explicações: porções maiores que a ficha, perda no preparo que não estava no custo, produto que estragou, compras anotadas errado ou consumo que não é venda (o que você come, as degustações). Cada uma se corrige de um jeito, mas nenhuma aparece se você não conta. Se a diferença vem das porções, o guia de controle de porções ajuda a fechar essa conta.

PEPS: primeiro que entra, primeiro que sai

Quando chega mercadoria nova, ela vai para trás ou para baixo; o antigo fica na frente. Assim você usa primeiro o que está guardado há mais tempo e diminui o que vence no fundo da geladeira.

Para funcionar:

  • Etiquete cada embalagem aberta ou preparo com o nome e a data.
  • Organize do mesmo jeito o armário, a geladeira e o freezer.
  • Se você vende produto embalado, coloque lote e data no rótulo; isso permite contar e girar o produto pronto por lote.

Quando receber um insumo novo, guarde também o rótulo ou a ficha técnica dele. Você vai precisar disso se um dia tiver que calcular a tabela nutricional dos seus produtos, e isso ajuda a perceber quando o fornecedor trocou a marca.

Nível de reposição: quanto ter de cada coisa

O nível de reposição é a quantidade que você quer ter de um item logo depois de comprar:

nível de reposição = uso entre uma compra e outra + margem de segurança

A margem de segurança cobre uma semana mais movimentada que o normal ou um fornecedor sem o produto naquele dia. Para o que estraga rápido, a margem é pequena ou zero. Para os secos pode ser maior, desde que não deixe dinheiro parado demais.

Com o nível definido, a lista de compras se faz sozinha: compra = nível de reposição − o que você contou, arredondado para o tamanho da embalagem. Para ir daí a uma lista completa baseada no que você vai produzir, veja o guia de planejar compras a partir da produção.

Exemplo: o leite condensado do brigadeiro

Você faz brigadeiro e o leite condensado é o insumo que mais pesa. Compra em caixas de 24 latas no atacarejo, a R$ 6,50 a lata. Pela ficha, uma lata rende 25 brigadeiros.

Contagem da semana:

DadoQuantidade
Estoque inicial (segunda)14 latas
Compras (duas caixas)48 latas
Estoque final (domingo)10 latas
Brigadeiros produzidos1.200

Uso real: 14 + 48 − 10 = 52 latas

Uso teórico: 1.200 ÷ 25 = 48 latas

Diferença: 52 − 48 = 4 latas

Custo da diferença: 4 × R$ 6,50 = R$ 26,00 por semana. Em quatro semanas, 26,00 × 4 = R$ 104,00 por mês.

Na prática, cada lata está rendendo 1.200 ÷ 52 = 23,1 brigadeiros, e não 25. O leite condensado de cada brigadeiro custa 6,50 ÷ 23,1 = R$ 0,28, e não 6,50 ÷ 25 = R$ 0,26 como diz a sua conta. Parece pouco, mas são R$ 0,02 a mais em cada um dos 1.200 brigadeiros da semana. Bolear com balança ou com uma colher medidora corrige isso.

Nível de reposição: você usa 52 latas entre uma compra e outra. Com uma margem de 8 latas, o nível é 52 + 8 = 60 latas. Na segunda você conta 10, então faltam 60 − 10 = 50 latas. Em caixas de 24, duas caixas deixam você com 58 latas, um pouco abaixo do nível; duas caixas e mais duas latas avulsas fecham as 60.

Quando você corrigir a porção, refaça a conta: com 48 latas de uso, o nível cai para 48 + 8 = 56 latas, e as duas caixas mais as 10 que sobraram (58 latas) já cobrem a semana.

Estoque também é dinheiro

Tudo o que está no armário é dinheiro que já saiu e ainda não voltou. Um fardo a mais "porque estava barato" pode ser boa compra ou caixa parado, dependendo de quanto tempo leva para ser usado. O guia sobre como o estoque prende o seu caixa mostra como calcular isso.

Para ver como o estoque se encaixa no resto dos seus registros (compras, produção e vendas), leia o guia de operação e registros.

Faça na calculadora

Quando souber o uso real por unidade, coloque esse número na calculadora de custos no lugar da quantidade da ficha: você vai ver o custo por unidade que está pagando de verdade.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo contar o estoque?

Uma vez por semana, no mesmo dia e antes de fazer as compras. Se você trabalha com insumos muito perecíveis, conte esses duas vezes por semana.

Preciso contar todos os insumos?

Não. Conte os que mais pesam no custo, os que estragam rápido, as embalagens e o produto pronto. O que custa centavos por lote não muda nenhuma decisão.

E se o uso real for maior que o teórico?

Procure a causa: porções maiores que a ficha, perda no preparo que não entrou no custo, produto estragado ou compras anotadas errado. Enquanto não corrigir, calcule o custo com o uso real.

O que é PEPS?

Primeiro que entra, primeiro que sai: você usa primeiro o que chegou antes. Funciona guardando o novo atrás e etiquetando com data tudo o que foi aberto ou preparado.