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Boca a boca e indicações para marcas de comida

O que faz alguém indicar um produto de comida, como facilitar a indicação e como calcular se um programa de indicação dá lucro. Exemplo com pão de mel.

Atualizado 5 min de leitura

O boca a boca funciona quando o produto sai igual toda vez, é fácil de descrever numa frase e é fácil de pedir para quem ouve falar dele. Dá para acelerar com um programa de indicação, mas só vale a pena com a conta feita: o prêmio sai da contribuição, e o cliente indicado precisa render mais do que custou. Como toda forma de conquistar clientes, precisa ser medido. Se você não pergunta como cada cliente chegou, não sabe se o boca a boca está funcionando.

Por que alguém indica comida

As pessoas indicam o que faz elas ficarem bem na foto. Levar um pão de mel que todo mundo elogia no café do trabalho. Ser a amiga que sabe onde comprar o melhor brigadeiro. Para isso, três coisas precisam acontecer:

  • O produto é confiável. Se uma vez vem ótimo e na outra vem seco, ninguém arrisca indicar.
  • Dá para explicar fácil. "O pão de mel da moça da feira de sábado, aquele com bastante doce de leite." Se o cliente não consegue contar numa frase, ele não conta.
  • O outro consegue comprar. Se o amigo ouve a indicação e não sabe como pedir, ela se perde.

A primeira depende da sua cozinha. As outras duas você pode trabalhar hoje.

Facilite a vida de quem indica

  • Seu contato na etiqueta. A embalagem vai parar em casas onde você nunca esteve. Se tem o seu WhatsApp ou Instagram, quem prova sabe para quem escrever.
  • Uma mensagem pronta para encaminhar. Uma imagem com produtos, preços e como pedir. O cliente encaminha em um segundo.
  • Um tamanho para presente. Uma caixinha com dois é fácil de levar para uma visita. É uma amostra paga por outra pessoa.
  • Um produto que rende foto. Se fica bonito na foto, o cliente posta sem você pedir.

O guia sobre vender pelo WhatsApp e pelo Instagram detalha como organizar os pedidos que chegam por esses canais.

Programa de indicação: como fazer a conta

Um programa de indicação dá alguma coisa para quem indica, para quem foi indicado, ou para os dois, quando o cliente novo compra. A grande vantagem: você só paga quando funciona. Se ninguém usa o cupom, não custa nada.

Para saber se compensa:

  1. Calcule a contribuição por pedido, depois do custo variável.
  2. Some quanto custa o prêmio. Desconto custa preço; produto de brinde custa o custo variável, se você tem capacidade sobrando.
  3. Compare esse custo com o que o cliente novo rende no primeiro pedido e nos seguintes.

Se o prêmio for maior que a contribuição do primeiro pedido, o programa só funciona se o cliente novo voltar. Aí entra tudo sobre como fazer o cliente voltar a comprar.

Exemplo: pão de mel por encomenda

Você vende pão de mel a R$ 6,00 a unidade. Custo variável: R$ 2,40 por unidade, entre massa, recheio, cobertura, embalagem e desperdício. Contribuição: 6,00 − 2,40 = R$ 3,60 por unidade. O pedido típico tem 6 unidades: R$ 36,00 de venda e 6 × 3,60 = R$ 21,60 de contribuição.

O programa: o amigo indicado ganha 10% de desconto no primeiro pedido. Quem indicou ganha um pão de mel no próximo pedido.

Custo por cliente indicado:

  • Desconto: 36,00 × 0,10 = R$ 3,60
  • Pão de mel de brinde, pelo custo variável: R$ 2,40
  • Total: 3,60 + 2,40 = R$ 6,00

Primeiro pedido do cliente novo: 21,60 − 3,60 − 2,40 = R$ 15,60. Mesmo que ele nunca volte, você não perde.

Se ele fizer 4 pedidos em três meses:

  • Primeiro pedido: R$ 15,60
  • Mais três pedidos: 3 × 21,60 = R$ 64,80
  • Total: 15,60 + 64,80 = R$ 80,40

Comparado com degustação na feira: você distribui 50 amostras de um quarto de pão de mel, a R$ 0,60 cada, R$ 30,00 no total, e conquista 3 clientes. Custo por cliente: 30,00 ÷ 3 = R$ 10,00, pago mesmo que eles comprem uma vez só. Com a indicação você paga R$ 6,00, e só quando o cliente compra.

Isso não faz um ser melhor que o outro. A feira alcança gente que não conhece ninguém que compra de você. A indicação alcança gente parecida com os seus clientes. O que importa é medir os dois e ver qual traz cliente que volta.

Pergunte de onde veio cada cliente

No primeiro pedido, pergunte "como você conheceu a gente?" e anote ao lado do nome. No fim do mês, conte. Por exemplo, de 30 clientes novos: 12 por indicação, 10 pelo Instagram e 8 da feira.

Dois meses depois, veja quantos de cada grupo compraram de novo. Esse número vale mais do que a primeira contagem, porque mostra onde colocar seu tempo e seu dinheiro. Junto com os outros números para olhar toda semana, dá uma visão clara do que traz cliente que fica.

Quando o boca a boca sai caro

O boca a boca também pode custar caro:

  • O desconto de amigo que vira permanente. Se o indicado só compra com desconto, a sua contribuição por unidade cai todo mês.
  • Mais pedidos do que você consegue fazer. Se a indicação traz mais pedidos do que a cozinha aguenta, você atrasa entrega ou perde qualidade, e a indicação vira contra você.
  • Cliente longe. Um cliente indicado do outro lado da cidade pode custar mais de entrega do que rende.

O guia sobre as armadilhas do crescimento explica por que vender mais nem sempre é lucrar mais, e o de como fazer um pequeno negócio de comida crescer coloca o boca a boca em ordem com as outras formas de crescer.

Faça na calculadora

Coloque a sua receita na calculadora de custos para ter o custo variável por unidade. Com esse número você sabe até quanto pode dar de prêmio sem que o cliente indicado custe mais do que rende.

Perguntas frequentes

É melhor premiar quem indica ou quem foi indicado?

O mais comum é premiar os dois, com coisas diferentes: um desconto pequeno para o cliente novo experimentar e um produto para quem indicou, porque o produto custa o custo variável e não o preço.

Como saber se o cliente chegou por indicação?

Pergunte no primeiro pedido como ele conheceu você e anote. Se usar um cupom com o nome de quem indicou, o registro fica feito sozinho.

Sorteio no Instagram ajuda no boca a boca?

Traz seguidor, nem sempre cliente. Se fizer, conte quantos participantes compraram depois e quanto isso custou, como faria com qualquer outra forma de conquistar clientes.

Vale indicar por grupo de WhatsApp do condomínio?

Vale, desde que você consiga entregar para todo mundo que pedir. Antes de divulgar, veja se a sua produção aguenta um pico de pedidos naquela semana.