Bufê e eventos

Degustação para clientes de bufê: custo e como cobrar

Quanto custa uma degustação para um cliente de bufê, se vale cobrar, como abater do valor do evento e que limites colocar para não dar a sua cozinha de graça.

Atualizado 4 min de leitura

Uma degustação custa quase o mesmo que um evento minúsculo: ingredientes comprados em pouca quantidade, várias horas da sua cozinha e a reunião com o cliente. Calcule esse custo, multiplique por quantas degustações você precisa para fechar um evento e decida com esse número. Uma forma de proteger o seu tempo sem afastar bons clientes é cobrar a degustação e abater do evento se o cliente fechar dentro de um prazo.

Quanto custa uma degustação

Some quatro coisas:

  • Ingredientes. Comprar para cinco porções custa mais por porção do que comprar para cem. Ninguém vende 100 g de filé mignon para dois medalhões nem um pouquinho de creme de leite para o molho; você compra a embalagem mínima e o resto sobra.
  • O seu tempo. O preparo, que em porção pequena leva quase o mesmo tempo que em grande, mais a reunião: apresentar o cardápio, responder dúvidas, anotar mudanças.
  • Apresentação. Pratos bonitos, guardanapos, às vezes embalagem se o cliente levar algo.
  • Gás e deslocamento. Se a degustação for no salão, some a viagem.

As amostras que você distribui na feira ou para um cliente novo são outra coisa; o guia de amostras e brindes mostra como controlar esse gasto. A degustação é para um cliente que já pediu orçamento e está decidindo.

O número que manda: quantas degustações fecham um evento

Anote cada degustação e se virou contrato. Se de cada duas degustações uma vira evento, cada evento fechado custa duas degustações. Esse custo sai da margem do evento que você fechou.

Três formas de fazer

  1. De graça. Atrai mais clientes indecisos, mas também quem só quer almoçar bem. Cada degustação sem evento é custo puro.
  2. Cobrada, sem abatimento. Filtra os curiosos, mas pode afastar bons clientes que estão comparando bufês.
  3. Cobrada e abatida do evento. O cliente paga a degustação e, se fechar dentro do prazo, o valor sai do total. Quem contrata não paga nada a mais e quem não contrata cobre boa parte do seu custo.

Exemplo: degustação para casamento

Um casal que planeja um casamento de 150 convidados pede degustação para duas pessoas com cinco itens: coxinha, mini pastel de queijo, risoto de cogumelos, filé ao molho madeira e brigadeiro gourmet.

ItemContaCusto
Ingredientes (embalagens mínimas)R$ 140,00
O seu tempo4 h × R$ 30,00R$ 120,00
ApresentaçãoR$ 15,00
GásR$ 10,00
Custo de uma degustaçãoR$ 285,00

O seu tempo: 2,5 horas de preparo mais 1,5 hora de reunião.

Pelo seu histórico, de cada duas degustações, uma vira evento.

Se for de graça: cada evento fechado custa 2 × 285 = R$ 570,00 em degustações.

Se você cobrar R$ 200,00 e abater ao fechar em até 15 dias:

  • O casal que fecha paga R$ 200,00 e recebe o abatimento no evento. Para você, essa degustação continua custando R$ 285,00.
  • O casal que não fecha paga R$ 200,00. O seu custo líquido: 285 − 200 = R$ 85,00.
  • Custo por evento fechado: 285 + 85 = R$ 370,00.

A diferença: 570 − 370 = R$ 200,00 a menos por evento fechado. Se o casamento deixa R$ 5.000,00 de margem de contribuição, degustações de graça levam R$ 570,00 disso; cobradas e abatidas, R$ 370,00.

Para preparar porções exatas para duas pessoas a partir da receita do evento, o ajustador de receitas ajusta as quantidades ao número de porções que você precisa.

Limites que vale escrever

  • Quando é oferecida: só depois de enviar o orçamento, para o cliente já saber o preço por pessoa. O guia de como orçar bufê por pessoa mostra esse passo.
  • Quantas pessoas: duas, ou o número que você definir. Cada pessoa a mais é cobrada à parte.
  • Quantos itens: os do cardápio que ele está escolhendo, com um máximo.
  • Prazo do abatimento: fechou em até 15 dias, abate; depois disso, não.
  • Uma por evento: a segunda degustação é cobrada inteira.

Coloque isso no orçamento ou na mensagem em que agenda a degustação. Evita discussão depois.

O que anotar depois de cada degustação

Mantenha um registro simples, num caderno ou numa planilha:

  • Data, cliente e tipo de evento.
  • Itens provados e quanto a degustação custou de verdade.
  • O que mudaram: menos sal no risoto, outro acompanhamento, porção maior de filé.
  • Se fecharam, e em quantos dias.

Com dez ou doze degustações anotadas você sabe quantas precisa para fechar um evento, quais itens convencem mais e se o custo da degustação está subindo. As mudanças pedidas pelo cliente vão direto para a receita do evento, para que o custo por convidado do orçamento final esteja certo.

Quando vale dar de graça

Às vezes compensa: um evento grande com margem alta, uma empresa que pode virar cliente fixo ou um mês fraco em que a cozinha está parada. Faça isso como decisão, com o custo à vista, e não por costume. Para ver como a degustação se encaixa no resto da venda de eventos, leia o guia de bufê e eventos.

Faça na calculadora

Na calculadora de custos, cadastre os itens da degustação com as quantidades que você realmente compra; você vê o custo real da degustação e quanto ele pesa na margem do evento.

Perguntas frequentes

É comum cobrar degustação de bufê?

Cada bufê decide. O que importa é saber quanto ela custa e quantas degustações viram evento. Cobrar e abater do evento se o cliente fechar protege o seu tempo sem punir quem contrata.

Quantos pratos colocar na degustação?

Só os que o cliente está de fato escolhendo. Se ele já decidiu o prato principal, não precisa fazer os três. Defina um número de itens e de pessoas, e cobre à parte o que passar disso.

Posso fazer a degustação em caixinha para levar?

Pode, e costuma sair mais barato: você faz porções pequenas junto com a produção normal e o cliente prova em casa. Perde a conversa cara a cara, que muitas vezes é onde o evento fecha.

E se o cliente pedir uma segunda degustação?

Cobre o valor cheio, sem abater do evento. Se ele precisa provar de novo, o custo dessa segunda rodada é dele.