Comida de rua, barracas e food trucks

Dinheiro, Pix e troco na barraca de comida

Quanto troco levar, quanto custa cada forma de pagamento e como fechar o caixa da barraca no fim do dia, com um exemplo de tapioca calculado passo a passo.

Atualizado 5 min de leitura

Cada forma de receber na barraca tem um custo. O dinheiro exige troco, tempo para contar e traz o risco de troco errado ou nota falsa. O Pix é rápido e dispensa troco, mas, dependendo da conta, pode ter tarifa. A maquininha de cartão quase sempre cobra uma taxa por venda. Para que isso não coma sua margem, você precisa de três hábitos: levar o troco certo, saber quanto sobra por unidade em cada forma de pagamento e fechar o caixa todo dia.

Quanto troco levar

O troco (o fundo de caixa) é o dinheiro com que você abre para poder devolver troco. Não é venda: chega com você e vai embora com você. Pouco troco faz você perder venda ou arredondar a favor do cliente. Troco demais é dinheiro parado que você precisa vigiar.

O valor sai do seu próprio registro, não de uma regra geral. Durante uma ou duas semanas, anote na primeira hora quantos clientes pagam em dinheiro e com qual nota. Com isso você calcula o troco necessário até as vendas começarem a trazer notas pequenas.

O preço também decide o troco. Uma tapioca a R$ 14,00 paga com nota de R$ 20,00 pede R$ 6,00 de troco; com nota de R$ 50,00, R$ 36,00. Um preço redondo a R$ 15,00 simplifica. No guia de preço para comida de rua você vê quando o preço redondo ajuda e quando custa margem.

Quanto custa cada forma de pagamento

  • Dinheiro: não tem taxa, mas tem custos escondidos: as idas atrás de troco, o tempo de contar e o dinheiro perdido em troco errado.
  • Pix: o cliente paga em segundos. Se a sua conta cobra tarifa no recebimento, isso depende do banco e do tipo de conta; confira as condições e não suponha que é zero.
  • Cartão: a maquininha cobra um percentual por venda, que costuma variar entre débito e crédito, e às vezes um aluguel ou o preço do aparelho. Use a taxa do seu contrato.

A taxa sai da sua margem. Se a tapioca custa R$ 14,00 e a maquininha fica com uma parte, chega menos de R$ 14,00 para você, e a tapioca continua custando o mesmo para fazer. O guia de taxas de pagamento no preço mostra como colocar isso na conta do preço.

Separe o dinheiro da barraca

O caixa da barraca não é sua carteira. Se você paga a condução ou o almoço com o dinheiro das vendas, no fim do dia não sabe quanto vendeu nem quanto ganhou. O mesmo acontece com o Pix: se você recebe na mesma chave das suas contas pessoais, mistura tudo.

O jeito mais simples: uma caixa ou pochete só da barraca e uma conta ou chave Pix só para as vendas. Se tirar dinheiro para você, anote como retirada. O guia para separar o dinheiro do negócio e o pessoal traz o passo a passo.

Fechar o caixa no fim do dia

No fechamento, conte três coisas separadas:

  1. O que você vendeu: a contagem de unidades (risquinhos no caderno, fichas ou o que usar) vezes o preço.
  2. O que entrou por cada forma: o extrato do Pix, o relatório da maquininha e o dinheiro na caixa menos o troco com que abriu.
  3. A diferença: vendas contadas menos o que entrou. Anote todo dia, mesmo quando for zero.

Diferença pequena e constante costuma ser troco errado. Diferença que cresce, ou que só aparece em certos dias, pede olhar quem recebe e como se anota.

Exemplo: uma barraca de tapioca

Você vende tapioca recheada a R$ 14,00. Já calculou que cada uma custa R$ 5,50 entre goma, recheio, manteiga, guardanapo, embalagem, gás e seu tempo. Sobram R$ 8,50 por tapioca antes das taxas.

O troco. Seu registro mostra que na primeira hora uns 4 clientes pagam em dinheiro: 2 com nota de R$ 20,00, 1 com nota de R$ 50,00 e 1 com o valor exato.

  • Troco para as notas de R$ 20,00: 2 × R$ 6,00 = R$ 12,00
  • Troco para a nota de R$ 50,00: R$ 36,00
  • Total: 12,00 + 36,00 = R$ 48,00

Você leva R$ 60,00 para ter folga: duas notas de R$ 10,00 (R$ 20,00), quatro de R$ 5,00 (R$ 20,00), cinco de R$ 2,00 (R$ 10,00) e R$ 10,00 em moedas.

O dia. Você vendeu 90 tapiocas: 90 × 14,00 = R$ 1.260,00.

FormaTapiocasValor
Pix55R$ 770,00
Cartão25R$ 350,00
Dinheiro10R$ 140,00
Total90R$ 1.260,00

A taxa do cartão. Digamos, só como exemplo, que a sua maquininha cobre 3% por venda. Use a taxa do seu contrato, que pode ser diferente no débito e no crédito.

  • Taxa do dia: 350,00 × 0,03 = R$ 10,50
  • Por tapioca paga no cartão: 14,00 × 0,03 = R$ 0,42
  • O que sobra nessa tapioca: 8,50 − 0,42 = R$ 8,08

Se a sua conta cobra tarifa no Pix, faça a mesma conta com essa tarifa sobre os R$ 770,00.

O fechamento. Na caixa deveria haver o troco mais o dinheiro vendido: 60,00 + 140,00 = R$ 200,00. Você conta R$ 196,00. Faltam R$ 4,00. O extrato do Pix soma R$ 770,00 e o relatório da maquininha, R$ 350,00; a diferença está no dinheiro, quase certamente troco errado. Você anota.

O mês. Trabalhando 25 dias e passando umas 25 tapiocas por dia no cartão, são 625 tapiocas × R$ 0,42 = R$ 262,50 por mês em taxa. Pouco por unidade, mas vale saber na hora de decidir se a maquininha traz vendas que você não teria sem ela.

O que fazer com esses números

Com a diferença diária anotada, em duas semanas você sabe se o caixa é confiável. Com a taxa por tapioca, sabe quanto cada forma de pagamento deixa. Com o registro da primeira hora, ajusta o troco sem chutar. Tudo isso entra na conta de quantas unidades você precisa vender por dia, que está no guia geral de comida de rua e barracas. Para ver a margem que sobra depois da taxa, use a calculadora de markup e margem.

Faça na calculadora

Na calculadora de custos, coloque o custo da tapioca e a taxa da maquininha como comissão do canal; ela mostra quanto sobra em cada venda no cartão e que preço manteria a sua margem.

Perguntas frequentes

Quanto troco levar para a barraca?

O suficiente para dar troco aos clientes que pagam em dinheiro na primeira hora, antes que as próprias vendas tragam notas pequenas. Tire o valor do seu registro: quantos pagam em dinheiro na abertura e com qual nota.

O Pix tem taxa para quem vende?

Depende do banco e do tipo de conta, e as condições mudam. Confira as da sua conta e, se houver tarifa, desconte de cada venda do mesmo jeito que a taxa do cartão.

Fechei o caixa e faltou dinheiro. O que faço?

Anote a diferença todos os dias. Diferença pequena e constante costuma ser troco errado; diferença que cresce ou aparece em certos dias pede olhar quem recebe e como as vendas são anotadas.

Vale a pena ter maquininha na barraca?

Vale se as vendas que ela traz deixam mais do que a taxa e o custo do aparelho. Calcule quanto sobra por unidade depois da taxa antes de decidir.