Para o cliente, o preço da etiqueta é o preço final: o imposto que você paga tem que caber dentro dele. Como fazer isso depende de como você paga. Se é um valor fixo por mês, ele entra como custo fixo e se divide pelas unidades vendidas. Se é um percentual sobre o faturamento, ele entra no mesmo lugar da margem: preço = custo ÷ (1 − margem − alíquota). Somar o imposto por fora, no fim, deixa você com menos do que planejou.
Primeiro, saiba como você paga
Quanto e como você paga imposto depende do seu enquadramento e, às vezes, do tipo de produto. Este guia não traz alíquotas nem valores, porque eles mudam e variam de caso para caso. Confirme com o seu contador. Se você é MEI, confira o limite e o valor atual no Portal do Empreendedor (gov.br).
Para precificar, basta saber em qual destes dois casos você está:
- Valor fixo por mês: você paga o mesmo valor vendendo muito ou pouco. É o caso do MEI.
- Percentual sobre o faturamento: cada real vendido leva um pedaço para o imposto.
Pode haver as duas coisas, ou outros tributos, conforme o produto e o enquadramento. O contador diz quais.
O imposto é um dos custos escondidos de um negócio de comida mais fáceis de confundir, porque não parece custo: entra com a venda e sai depois. Quem conta tudo o que entra como seu acha que a margem é maior do que é.
Caso 1: valor fixo por mês
O valor fixo funciona como o aluguel ou a conta de luz. Divida pelas unidades que você vende no mês:
imposto por unidade = valor mensal ÷ unidades vendidas no mês
Some esse valor ao custo carregado, e depois calcule o preço normalmente. Como é fixo, pesa mais por unidade nos meses fracos. Use uma média realista de vendas, não o seu melhor mês.
Caso 2: percentual sobre o faturamento
Aqui o imposto é uma fatia do preço, igual à margem e à taxa da maquininha. Por isso ele vai no divisor:
preço = custo carregado ÷ (1 − margem − alíquota)
É a fórmula do guia de como definir um preço que atinja sua margem, com a alíquota acrescentada. Escreva tudo em decimal: 40% é 0,40. Se você também paga taxa de cartão, ela entra no mesmo divisor, como mostra o guia de taxas da maquininha no preço.
Por que somar por fora não funciona
O jeito intuitivo é calcular o preço sem imposto e depois acrescentar a alíquota por cima: preço × (1 + alíquota). O problema é que o imposto incide sobre o preço final, inclusive sobre o acréscimo. Você recolhe imposto sobre um valor maior do que aquele em que pensou, e o que sobra fica um pouco abaixo da margem planejada. Quanto maior a alíquota, maior a diferença. Colocando a alíquota no divisor, a conta já fecha.
Exemplo: bolo de pote
Você vende bolo de pote. O custo carregado de um pote é R$ 6,30: massa, recheio, cobertura, o pote, a colher, a etiqueta, seu tempo e o gás. Para calcular o pote e a etiqueta, veja o guia de como calcular o custo de embalagens e etiquetas. Você quer margem de 40% e vende uns 350 potes por mês.
Preço antes de qualquer imposto:
- 6,30 ÷ (1 − 0,40) = 6,30 ÷ 0,60 = R$ 10,50
Se o seu imposto é um valor fixo por mês. Pegue o valor da sua guia e divida por 350. Para ter a escala: cada R$ 10,00 de imposto fixo mensal soma 10,00 ÷ 350 = R$ 0,03 por pote. Some o resultado da sua conta ao custo carregado de R$ 6,30 e refaça o preço.
Se o seu imposto é um percentual sobre o faturamento. Troque a alíquota na fórmula pela que o seu contador informar. Para ver o efeito de cada ponto percentual:
- Com um ponto (0,01): 6,30 ÷ (1 − 0,40 − 0,01) = 6,30 ÷ 0,59 = R$ 10,68
- São R$ 0,18 a mais por pote só por esse ponto.
O efeito cresce um pouco a cada ponto a mais, então não multiplique R$ 0,18 pela sua alíquota: faça a conta com ela.
O erro de somar por fora, com o mesmo ponto:
- Preço: 10,50 × 1,01 = R$ 10,61
- Imposto: 10,61 × 0,01 = R$ 0,11
- Sobra depois do imposto: 10,61 − 0,11 = R$ 10,50
- Lucro: 10,50 − 6,30 = R$ 4,20
- Margem sobre o preço: 4,20 ÷ 10,61 = 39,6%
Com um ponto, a diferença é pequena. Com a alíquota real, ela é maior, e se repete em cada pote do mês.
Seus custos vêm com imposto
O que você compra no atacarejo já vem com imposto embutido no preço. Para quem não recupera esse imposto, ele é simplesmente parte do custo. Use o valor que você pagou de verdade, como está na nota, para ingredientes, embalagens e etiquetas. Se você está num enquadramento em que recupera parte desse imposto, o contador explica como tratar.
Venda para empresas e cafeterias
Quando você vende para outra empresa, pode precisar emitir nota fiscal, e o comprador pode perguntar como os impostos aparecem no preço. Combine sempre o preço final, já com tudo dentro, para não haver dúvida sobre quem paga o quê. Na dúvida sobre a nota, confira com o contador.
Faça na calculadora
Na calculadora de custos coloque a receita, a margem que quer e o percentual de imposto que o contador informou; ela mostra o preço final, sem você precisar montar o divisor na mão.
Perguntas frequentes
Quanto de imposto eu pago sobre o que vendo?
Depende do seu enquadramento e, às vezes, do produto. Esse número quem confirma é o seu contador. Se você é MEI, confira o limite e o valor atual no Portal do Empreendedor (gov.br).
A margem é calculada com ou sem imposto?
Sem. O imposto não é seu: sai da venda e vai para o governo. Calcule custo e margem e faça o imposto caber no preço, sem contar o imposto como lucro.
Posso somar o imposto por fora, como um acréscimo no fim?
Se o imposto é um percentual sobre o faturamento, não. Ele incide sobre o preço final, inclusive sobre o próprio acréscimo, e você fica com um pouco menos do que planejou. Coloque a alíquota no divisor, junto com a margem.
O MEI precisa colocar imposto no preço?
O MEI paga um valor fixo por mês, e ele precisa sair das vendas como qualquer custo fixo. Divida o valor mensal pelas unidades que você vende no mês e some ao custo carregado.