Na feira você produz antes de saber quanto vai vender. O que sobra no fim do dia é desperdício, e a taxa da barraca é a mesma se você vender 20 unidades ou 80. Por isso o custo que importa não é o de cada unidade que você faz, e sim o de cada unidade que você vende. Quem precifica olhando só a receita perde a margem entre o que volta para casa e o que paga para estar ali.
Onde a barraca perde margem
- O que não vende. Bolo de pote, salgados ou suco de hoje que não dá para oferecer na semana que vem. Você pagou do mesmo jeito.
- A taxa da barraca. Custo fixo por dia. Um dia fraco faz ela pesar o dobro.
- As degustações. Dar para provar vende, mas cada amostra é produto que ninguém paga.
- O deslocamento. Combustível ou frete até a feira, mais o tempo de montar e desmontar.
- Suas horas na barraca. Seis horas atendendo em pé também é trabalho, mesmo sem estar cozinhando.
Exemplo: bolo de pote na feira de domingo
Você leva 40 bolos de pote para a feira. O seu custo por unidade, com ingredientes, pote, colher, seu tempo de cozinha e o gás, é R$ 4,80. Você vende a R$ 12,00. A taxa da feira é R$ 80,00 por dia. No fim, vendeu 32 e sobraram 8.
O que você achava: ganha 12,00 − 4,80 = R$ 7,20 por pote. Com 32 vendidos, 32 × 7,20 = R$ 230,40.
O que aconteceu:
| Item | Valor |
|---|---|
| Vendas: 32 × R$ 12,00 | R$ 384,00 |
| Produção: 40 × R$ 4,80 | − R$ 192,00 |
| Taxa da feira | − R$ 80,00 |
| Sobra | R$ 112,00 |
O seu custo real por pote vendido foi:
- Produção dividida pelo que vendeu: 192 ÷ 32 = R$ 6,00
- Taxa dividida pelo que vendeu: 80 ÷ 32 = R$ 2,50
- Total: 6,00 + 2,50 = R$ 8,50
A margem real é (12,00 − 8,50) ÷ 12,00 = 29,2%, e não os 60% que a receita sugeria. E vale saber mais uma conta: com 40 potes feitos e a taxa paga, você gastou 192 + 80 = R$ 272,00. Para não ter prejuízo precisa vender 272 ÷ 12 = 22,7, ou seja, 23 potes. Abaixo disso, é perda.
Os números que mais importam
Vendido sobre levado. O número mais útil de uma barraca. Levou 40 e vendeu 32, vendeu 80%. Anote em todo dia de feira, por produto. Em quatro ou cinco semanas você sabe quanto levar e em que dia levar menos. O guia de planejamento da produção mostra como transformar esse registro em quanto produzir.
Custo por unidade vendida. Produção mais taxa, dividido pelo que vendeu. É o custo que o seu preço precisa cobrir de verdade.
Ponto de equilíbrio do dia. Quantas unidades você precisa vender para cobrir produção e taxa. O guia do ponto de equilíbrio aprofunda, e o de custos fixos e variáveis ajuda a separar o que você paga sempre do que muda com o volume.
Desperdício por produto. Nem tudo se perde do mesmo jeito. Um bolo de pote bem refrigerado aguenta mais um dia; um suco natural, não. Os guias sobre como medir o desperdício e sobre validade e produto encalhado ajudam a decidir o que levar em maior quantidade.
Amostras e deslocamento. Anote quantas amostras você dá e quanto gasta para chegar em cada dia. Se as degustações consomem um pote e meio por hora, isso é custo, igual à taxa. Veja quanto custam amostras e degustações antes de decidir quantas dar.
Como acompanhar
Um caderno ou planilha com uma linha por dia de feira: produto, unidades levadas, vendidas, sobras, preço, taxa, deslocamento e quanto entrou em dinheiro, Pix e cartão. Se você usa maquininha, inclua a taxa dela também: o guia de taxas de pagamento no preço mostra como. No fim do mês, some e divida. Se um produto vende sempre menos de 70% do que você leva, produza menos ou troque de produto. O guia sobre vender em feiras e eventos traz mais sobre taxas e preços.
Faça na calculadora
A calculadora de custos calcula um produto de cada vez e não salva nada, então anote cada resultado ou copie o link. Se você leva uma fornada por dia de feira, coloque a taxa da barraca em outros por fornada e a parte que não vende em desperdício: o custo por unidade que ela mostra já é o custo por unidade vendida.