Nesta seção
- Como calcular o custo de um prato do cardápioMonte a ficha de custo de um prato com proteína, acompanhamentos, óleo de fritura e a perda da linha. Exemplo completo com um PF de bife acebolado em reais.→
- Engenharia de cardápio: o que destacar, ajustar ou tirarClassifique seus pratos pelo quanto vendem e quanto deixam em reais: estrelas, burros de carga, quebra-cabeças e cães, e o que fazer com cada um.→
- Como calcular o preço do prato feito (PF)Calcule o custo do seu PF pelas opções mais pedidas, quantos pratos precisa vender por dia e o preço que cobre tudo. Com exemplo completo em reais.→
- Prime cost: comida mais mão de obra sobre as vendasCalcule toda semana o prime cost do seu restaurante, insumos mais mão de obra com as suas horas incluídas, e leia o número contra as vendas.→
- Clientes atendidos, ticket médio e giro de mesasLeia as vendas do dia como clientes vezes ticket médio, calcule o giro de mesas e decida qual alavanca mexer. Com um registro diário simples.→
- Como montar a escala do restaurante pelas suas vendasComo cruzar clientes por hora com a escala da cozinha e do salão, calcular a mão de obra por refeição e saber quando uma pessoa a mais se paga.→
- Quando e como reajustar os preços do cardápioOs sinais de que é hora de reajustar o cardápio, quanto subir de uma vez, quais pratos mexer primeiro e como avisar os clientes fiéis sem perder ninguém.→
- Bebidas, acompanhamentos e extras: onde o restaurante lucraQuanto um suco natural, uma sobremesa ou um ovo extra deixam perto do prato principal, e como vender esses itens no restaurante sem dar desconto no prato.→
- Como controlar o desperdício na cozinha do restauranteComo registrar a perda no pré-preparo, o que estraga, o que sobra e o que volta no prato, com uma planilha simples e o custo do desperdício por refeição.→
Um restaurante é lucrativo quando, mês após mês, o que entra com clientes atendidos e ticket médio paga os insumos, a mão de obra (incluindo as suas horas), o aluguel e o resto, e ainda sobra. Para saber se isso acontece no seu, você precisa de seis números: o custo de cada prato, o food cost, o prime cost, os clientes atendidos, o ticket médio e o ponto de equilíbrio. Nenhum funciona sozinho. Juntos, eles mostram para onde vai o dinheiro e qual alavanca mexer primeiro.
Neste guia
Este é o guia geral. Cada número tem o seu próprio guia:
- Como calcular o custo de um prato do cardápio
- Engenharia de cardápio: o que destacar, ajustar ou tirar
- Como calcular o preço do prato feito
- Prime cost: comida mais mão de obra sobre as vendas
- Clientes atendidos, ticket médio e giro de mesas
- Como montar a escala da equipe pelas vendas
- Quando e como atualizar os preços do cardápio
- Bebidas, acompanhamentos e extras: onde está a margem
- Como medir o desperdício na cozinha do restaurante
Os seis números e como se encaixam
Pense numa corrente. Cada elo sai do anterior.
- Custo do prato. Quanto custa em insumos mandar um prato para a mesa do jeito que ele sai da cozinha: proteína, arroz, feijão, salada, molhos, óleo de fritura, o que vai para a mesa e a perda da linha.
- Food cost. O custo do prato dividido pelo preço de venda sem imposto. Por prato, mostra o quanto cada um está pesado. Por mês (consumo real ÷ vendas), mostra quanto realmente foi embora, com desperdício e refeição da equipe incluídos.
- Prime cost. Insumos mais mão de obra, como percentual das vendas. São os dois maiores custos de quase qualquer restaurante, e os dois que você controla toda semana.
- Clientes atendidos. Quantas pessoas comeram. É o volume.
- Ticket médio. Vendas ÷ clientes. É quanto cada pessoa gasta.
- Ponto de equilíbrio. Quantos clientes por mês (e por dia) você precisa para pagar todos os custos fixos com o que sobra de cada um.
Vendas = clientes × ticket médio. Dessas vendas saem os insumos e a mão de obra (o prime cost). O que sobra precisa pagar o aluguel e o resto. Se não fecha, o ponto de equilíbrio diz quantos clientes estão faltando.
1. Custo do prato
Tudo começa aqui. Se você não sabe quanto custa um PF de bife acebolado do jeito que chega à mesa, todo o resto sai errado. O erro comum é calcular só a carne e esquecer arroz, feijão, batata, óleo da fritura, farofa e o que se perde na linha.
Monte uma ficha por prato com os gramas que você realmente serve e o preço da última compra no atacarejo ou na Ceasa. Use as suas próprias perdas: se ao limpar a alcatra sobram 880 g de cada quilo, esse é o seu número. O passo a passo está em como calcular o custo de um prato. Para ir do custo ao preço do cardápio, a calculadora de preço do prato faz a conta a partir do food cost que você escolher.
2. Food cost por prato e do mês
Food cost % = custo dos insumos ÷ preço sem imposto × 100
Calcule de duas formas e compare:
- Por prato, com a ficha. Mostra quais pratos estão muito pesados.
- Do mês, com o que você realmente consumiu: estoque inicial + compras − estoque final, dividido pelas vendas sem imposto.
Se o do mês sair vários pontos acima das fichas, a diferença é desperdício, porção que cresceu, refeição da equipe ou insumo que sai sem ser cobrado. Essa diferença é dinheiro, e o exemplo abaixo mostra quanto. Como definir o seu teto de food cost, sem copiar faixas da internet, está no guia de food cost.
3. Prime cost
Prime cost % = (insumos consumidos + mão de obra) ÷ vendas sem imposto × 100
A mão de obra inclui todo mundo que trabalha: cozinha, salão, lavagem e você. Conte o que cada pessoa realmente custa, com os encargos que você paga (confirme os valores com seu contador). Se você cozinha doze horas por dia e não conta essas horas, o prime cost parece saudável e o restaurante não está pagando você. Para dar um valor às suas horas, use o guia de custo do seu próprio trabalho.
Meça toda semana. É o número que avisa primeiro: quando a carne dispara, quando uma semana fraca teve a mesma escala de uma boa, quando as porções cresceram. O seu teto de prime cost não vem de uma média do setor; vem dos seus custos fixos. O método está no guia de prime cost.
4. Clientes atendidos e ticket médio
As vendas do dia são clientes × ticket médio. Cada alavanca mexe de um jeito:
- Mais clientes trazem mais vendas, mas também mais insumos e, no horário de pico, mais gente no salão.
- Mais ticket vem de bebidas, porções para dividir, sobremesas ou um prato melhor. Um suco natural de maracujá tem pouco insumo; quase tudo o que ele soma ao ticket fica com você.
Mantenha um registro diário simples: clientes, vendas e ticket por turno. Assim você sabe em quais dias faltam clientes e em quais o problema é o ticket. O detalhe está em clientes atendidos, ticket médio e giro de mesas.
5. Ponto de equilíbrio
Clientes para não ter prejuízo no mês = custos fixos do mês ÷ (ticket médio − insumos por cliente)
Custos fixos são os que você paga com o salão cheio ou vazio: aluguel, folha, seu pró-labore, luz, água, gás, contador. O que está entre parênteses é o que cada cliente deixa para pagá-los. Divida o resultado pelos dias em que você abre e você tem a meta diária. A fórmula completa, com vários produtos, está no guia de ponto de equilíbrio, e a calculadora de ponto de equilíbrio dá os pratos por mês e por dia.
Exemplo: um restaurante de almoço com PF e pratos executivos
Um restaurante de 36 lugares, aberto no almoço de segunda a sábado: 26 dias por mês. Os valores de venda já estão sem imposto.
Vendas do mês
- Clientes: 90 por dia × 26 dias = 2.340
- Ticket médio: R$ 25,00
- Vendas: 2.340 × 25,00 = R$ 58.500,00
Insumos. As fichas dizem que o food cost do que foi vendido deveria ser 34%. O estoque do mês diz outra coisa: estoque inicial + compras − estoque final = R$ 22.230,00. Isso dá 22.230 ÷ 58.500 = 38%.
Mão de obra do mês
| Quem | Custo por mês |
|---|---|
| Você, na cozinha (o que precisa ganhar) | R$ 4.000,00 |
| Cozinheiro, auxiliar, dois garçons e lavador, com encargos | R$ 11.000,00 |
| Total | R$ 15.000,00 |
Mão de obra sobre as vendas: 15.000 ÷ 58.500 = 25,6%.
Prime cost: 22.230 + 15.000 = R$ 37.230,00. Sobre as vendas: 37.230 ÷ 58.500 = 63,6%.
Outros custos fixos: aluguel R$ 6.000,00, luz e água R$ 1.800,00, gás R$ 1.400,00, contador e sistema R$ 700,00, descartáveis e limpeza R$ 900,00. Total: R$ 10.800,00, que é 18,5% das vendas.
O que sobra: 58.500 − 37.230 − 10.800 = R$ 10.470,00 por mês, 17,9% das vendas, depois de pagar o seu trabalho na cozinha.
Ponto de equilíbrio
- Insumos por cliente: 22.230 ÷ 2.340 = R$ 9,50
- O que cada cliente deixa: 25,00 − 9,50 = R$ 15,50
- Custos fixos: mão de obra 15.000 + outros 10.800 = R$ 25.800,00
- Clientes para não ter prejuízo: 25.800 ÷ 15,50 = 1.664,5, ou seja, 1.665 por mês
- Por dia: 1.665 ÷ 26 = 64,04, ou seja, 65 clientes
Com 90 clientes por dia, esse restaurante está 25 acima do ponto de equilíbrio. Uma segunda-feira com 60 clientes dá prejuízo; um mês inteiro nesse ritmo também.
Qual alavanca mexer primeiro
Com os mesmos números, compare três melhorias possíveis:
| Alavanca | Conta | A mais por mês |
|---|---|---|
| 5 clientes a mais por dia | 5 × 26 × 15,50 | R$ 2.015,00 |
| R$ 1,00 a mais no ticket com uma bebida de R$ 0,30 em insumos | (1,00 − 0,30) × 2.340 | R$ 1.638,00 |
| Fechar a diferença entre fichas (34%) e mês (38%) | 4% × 58.500 | R$ 2.340,00 |
As três valem mais ou menos o mesmo. A diferença está no que custa chegar lá. Fechar a diferença do desperdício não exige nenhum cliente novo: pesar porções, anotar o que vai para o lixo e registrar a refeição da equipe. Subir o ticket depende do garçom oferecer o suco. Trazer mais clientes costuma ser o mais caro e o mais lento.
Por isso a ordem que costuma fazer sentido é: primeiro custo do prato e desperdício, depois ticket, por último clientes. Mas quem decide a ordem são os seus números, não uma regra. Se o salão lota ao meio-dia e meia e as pessoas vão embora porque não tem mesa, girar mais rápido no pico pode valer mais do que todo o resto.
Olhe também o cardápio
Os números do mês são médias. Dentro deles há pratos que carregam o restaurante e pratos que seguram. Com um mês de vendas você classifica o cardápio e decide o que destacar, o que ajustar e o que tirar; é a engenharia de cardápio. E se você vende PF, o preço dele merece uma conta própria, com o mix de opções e o que sobra no fim do almoço: veja em como calcular o preço do prato feito.
Bebidas, acompanhamentos e extras costumam deixar mais por real vendido do que os pratos principais. Vale conferir quanto cada um deixa em bebidas, acompanhamentos e extras.
Uma rotina semanal de 30 minutos
Você não precisa de um sistema complicado. Uma vez por semana:
- Some vendas sem imposto, clientes e ticket médio por dia.
- Faça uma contagem rápida do que é caro (carnes, peixe, queijo, óleo) e calcule o consumo da semana.
- Some as horas de todos, as suas incluídas, e calcule o prime cost.
- Anote o que foi para o lixo e por quê, com o guia de como medir o desperdício no restaurante.
- Veja se algum insumo subiu o bastante para mexer num preço, com o guia de quando atualizar os preços do cardápio.
- Ajuste a escala da semana seguinte pelos clientes de cada dia, como explicamos em escala da equipe pelas vendas.
Todos os guias do tema estão juntos na seção de restaurantes.
Faça na calculadora
Na calculadora de custos você coloca a receita de cada prato com os gramas e o preço que pagou por cada insumo, e ela mostra o custo por porção. Com esse número para cada prato, você calcula food cost, prime cost e ponto de equilíbrio com as fórmulas deste guia.
Perguntas frequentes
Quantos clientes por dia um restaurante precisa para não ter prejuízo?
Divida os custos fixos do mês (aluguel, folha, seu pró-labore, luz, gás) pelo que sobra de cada cliente depois dos insumos, e depois pelos dias em que você abre. O número é só seu: depende do seu aluguel, da sua equipe e do seu ticket médio.
Qual número olhar primeiro se o restaurante não está dando lucro?
O prime cost da semana: insumos mais mão de obra sobre as vendas. Se estiver alto, o problema está na cozinha ou na escala. Se estiver bom e mesmo assim não sobra nada, olhe clientes, ticket médio e custos fixos.
Meu pró-labore entra nos custos do restaurante?
Sim. Se você cozinha ou atende, suas horas são mão de obra e entram na folha, mesmo que você não tire um valor fixo. Se ficar de fora, o restaurante parece lucrativo enquanto paga quase nada para você.
Faço essas contas com ou sem imposto?
Use as vendas sem o imposto que você recolhe sobre elas, porque esse dinheiro não é seu. Como isso funciona no seu caso depende do seu regime; confirme com seu contador.